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Sobrevivência no mar é requisito para carteira

MARINHA OBRIGA O TESTE NA ÁGUA:

Levantamento do Sindicato dos Pescadores de Santa Catarina (Sindipesca) realizado em 1998 mostrava que 65% dos cerca de 42 mil profissionais da pesca no Estado não sabiam nadar.

Passados seis anos, a situação começa a se inverter. Isto porque a marinha exige, hoje, que os novos pescadores, para obter a licença, tenham conhecimentos de sobrevivência na água.

Pescadores artesanais e industriais que trabalham embarcados, em mar aberto, precisam ter carteira profissional e, para tirá-la, entre outros requisitos, a Capitania dos Portos exige que o candidato consiga nadar pelo menos 25 metros e flutuar na água, sem a ajuda de equipamentos, por no mínimo 15 minutos.

"O sindicato não faz a lei, mas faz seus associados cumpri-la", diz o presidente do Sindipesca, Osvani Gonçalves.

A maioria dos pescadores mais velhos reitera o dirigente, não sabe nadar. "Esses já estão se aposentando, e a nova geração de pescadores já tem uma mentalidade bem diferente", comenta.

 

EDUCAÇÃO HOJE É OUTRA:

O costume - mesmo dificilmente confessado - de tentar impedir que os filhos aprendam a nadar é antigo entre os pescadores da Ilha de Santa Catarina. Hoje, quem vive da pesca já pensa diferente, e faz questão que seus descendentes aprendam a se defender, para o caso de alguma necessidade no futuro.

"O medo de nossos pais é que se as crianças soubessem nadar, não respeitariam mais o mar", explica o pescador Mário Nunes, 44 anos.

Ele aprendeu escondido do pai. "Nos nadávamos pelados no rio ou mar , para não chegar em casa com a roupa molhada e levar uns tapas", conta. ' À vezes eu chegava com o cabelo molhado e já sabia que avia bronca".

Mario Nunes tem três filhos, e os três aprenderam a nadar ainda criança. "Seria muita ignorância achar que saber nadar faz mal. Isso é coisa de antigamente, coisa dos nossos pais e avós que não se ensina mais hoje em dia", ressalta.

COLETES SÃO INDISPENSÁVEIS

Só saber nadar não salva a vida do pescador no caso de um naufrágio. O que faz com que ele sobreviva, na maioria das vezes, é o uso dos equipamentos de salvatagem, especialmente o colete salva-vidas e a balsa inflável.

A opinião é do capitão dos portos de santa Catarina, comandante Antonio Frade Carneiro. Baseado em sua experiência na marinha, ele afirma que a maioria das mortes de pescadores acontece porque os profissionais não costumam usar os equipamentos de segurança obrigatórios. " O pescador com o passar do tempo, tende a relaxar tanto no seu preparo físico quanto na sua segurança", comenta.

A imprudência convive com i dia-a-dia desses profissionais. As embarcações que trabalham com na pesca artesanais precisam cada vez mais se afastar da costa para capturar o peixe, mas a maioria não possui o equipamento de salvatagem, os pescadores não têm noção de como proceder em caso de acidente e essas embarcações não suportam condições de tempo adversas em mar aberto.

Fonte; pagina 35 do Diário Catarinense do dia 01 de agosto de 2004.
Cláudio Silva
www.diariocatarinense.com.br