A freira sem Cabeça...
O Colégio Gentil Bittencourt, localizado
na Av. Magalhães Barata, antiga Independência,
funcionou muito tempo como internato.
As internas do Gentil vinham de todas as partes do Estado
e, às vezes, eram meninas da capital mesmo. Havia
um grande número de freiras no colégio.
Conta-se que houve um tempo em que uma freirinha ficava
sempre, lá na frente do colégio, olhando
para o movimento da avenida. O colégio era cercado
por um gramado muito bonito e ela ficava sentada nos
bancos do jardim, ora lendo, ora meditando, ora entregue
aos seus pensamentos...
Aquela avenida foi sempre muito movimentada. Passam
muitas pessoas e muitos carros por lá. A freirinha
não percebeu, mas havia um marinheiro que costumava
passar em frente ao colégio e ficava olhando
através da grade a beleza do jardim e a imponente
edificação do colégio. Às
vezes, ele sentava na grade, que cerca o terreno, e
ficava horas a fio observando.
A freirinha, a partir de certo momento, deu-se conta
da presença do marinheiro e passou a freqüentar
o jardim nos mesmos horários em que o moço
de farda branca e quepe azul-marinho ficava espreitando
o jardim.
Os olhares se foram cruzando, os suspiros se tornaram
mais profundos e demorados e o "friozinho"
da coluna passou a perturbar o antigo sossego da menina
antes destinada a tornar-se a "esposa" de
Cristo.
À medida que o tempo passava, ia
ficando mais difícil controlar as emoções
e afastar-se dos jardins do colégio. Os votos
de vida recolhida e devota ficavam tão mais pesados
agora e ela cada vez mais angustiada e triste.
As colegas de internato perceberam que algo estava acontecendo
com a noviça, mas a discrição da
freirinha apaixonada não lhes permitia saber
ao certo quais os seus reais problemas.
Dividida entre o dever cristão e
a paixão amorosa, a freirinha foi ficando muito
mais triste, até adoecer e morrer...
Diz-se que a freirinha morreu por amor ao marinheiro...
E, hoje, fala-se da aparição de uma freira,
sem cabeça, nos corredores do Colégio
Gentil Bittencourt: trata-se da freira que perdeu a
cabeça por amor...
História contada
pela informante Mary Maia
Recolhida e adaptada por Maria do Socorro Simões
Fonte: www.portaldaamazonia.org.br
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