MARES PARA OS VIPS
Por Fabiano Moraes repórter
do Diário Catarinense
fabiano.moraes@diario.com.br
A maioria das pessoas vê a praia
quase sempre sobre a mesa perspectiva: uma faixa de
areia com o mar ao fundo. Mas para os donos de embarcações
de luxo, a paisagem litorânea é, no mínimo,
diferente.
Da proa (parte anterior da embarcação)
de uma lancha ou de um iate, o mar sempre esta em
primeiro plano. Pé na areia? Só se for
no caminho que leva até o melhor restaurante
da praia. Em um dia de verão em Florianópolis
com sol e pouco vento, a quantidade de embarcações
de luxo. Principalmente lanchas, singrando o mar ou
atracadas na marina da sede oceânica do iate
clube Veleiros da Ilha, em Jurere tradicional, chama
a atenção.
De dezembro até Fevereiro, o empresário
gaúcho do ramo calçadista curte com
sua família a lancha de 52 pés (15,8
metros), ano 2005 que possui – a lancha reproduz
com fidelidade o conforto de uma casa. E que casa.
A lancha pode receber até 14 pessoas, tem uma
suíte e dois quartos completos e é totalmente
climatizada. Na “sala de estar”, TV de
tela plana com 33 polegadas distrai os convidados.
O empresário aproveita sua casa flutuante geralmente
aos fins de semana, quando deixa a sua cidade no Rio
Grande do Sul, onde mora com a família, estalas-se
em sua casa de veraneio na praia de Jurere Internacional,
norte da ilha de Santa Catarina.
-As crianças adoram passear de lancha. Nenhuma
delas enjoa a bordo - diz o empresário.
-A gente nada, mergulha... é uma opção
de lazer diferente – explica sua esposa.
Uma das atividades da família é a ida
até a ilha do Campeche. As saídas geralmente
ocorrem no sábado as 10h, e a chegada é
ainda a tempo de escolher um dos restaurantes do local.
Entre um passeio e outro, não é raro
o casal abrir um garrafa de champanhe e levar as taças
para um brinde na parte superior da lancha. Outro
destino muito procurado pelos donos de embarcações
de luxo é a praia de Tinguá, em Governador
Celso Ramos.
Outro empresário paulista de 48
anos (que não quis ser fotografado nem ter
seu nome publicado, por segundo de “questões
de segurança”) mantem, há cinco
anos uma lancha 47 pés (14,3 metros) avaliada
em quase 2 milhões na sede administrativa do
Yate Clube Veleiros da Ilha.
A embarcação
só vai para a água aos finais de semana.
O empresário do ramo transportes trabalha na
capital paulista de segunda a sexta-feira. No sábado
e no domingo ele esta em casa, com a família,
em Jurere internacional, ou na sua “segunda
casa”, navegando.
-Minha vida em São Paulo é muito corrida.
O mar funciona como uma terapia – revela.
Terapia para poucos. Em um de dois dias, só
de combustível (diesel ou gasolina), o empresário
gasta 2 mil.
Com o conforto de uma casa reproduzindo
as custas altas cifras, embarcações
dominam o litoral de Santa Catarina.
DO PASSEIO AS REUNIÕES
DE NEGÓCIOS
De acordo com Ildefonso W. Junior, velejador e vice-comodoro
de eventos do Iate Clube Veleiros da Ilha, clube com
cerca de 600 sócios, o perfil dos proprietários
de embarcações é formado por
empresários do Rio Grande do Sul, São
Paulo e Rio de Janeiro.
-Alem do lazer com a família alguns utilizam
para reuniões de negócios – diz
Ildefonso, que também é o diretor da
sede oceânica do clube.
O valor pago por uma embarcação varia
de acordo com o tamanho (medido em Pés), opcionais,
ano e modelo. Algumas lanchas podem valer mais de
U$$ 1 milhão.
O modelo de lancha mais vendido por Marcelo Menezes,
diretor comercial da Scharfer Yachts, fábrica
de lanchas localizada em Palhoça, na grande
Florianópolis, tem lista de espera. A cada
dia e meio uma dessas embarcações é
vendida. E o comprador ainda para receber o produto.
-No verão há um acréscimo de
30% nas vendas – diz.
Quem compra uma embarcação de porte
agrega custos de manutenção (depende
do tamanho), salário do marinheiro (cerca de
R$ 2,5 mil mensais), mensalidade do clube náutico
(R$130, em media, é um valor cobrado na capital),
aluguel da vaga para guardar o barco no clube –
no veleiros, cada pé pode custar entre R$ 10
e R$ 18 (para uma lancha de 47 pés o valor
pode chegar a R$ 846), seguro e IPVA (alíquota
de 5% sobre o valor da embarcação).
Por mês, os gastos podem chegar a R$ 3,5 mil
– isso sem que a embarcação vá
para a água.
Há também a possibilidade de alugar
uma lancha ou iate para curtir com o “deslize”,
de cem pés (30,48 metros), com helicóptero
– o ex-campão de F1 Nelson Piquet tem
um semelhante – ou “Ravi”, 110 pés,
que já foi alugado pelo programa Caldeirão
do Hulk para o quadro Amor a Bordo, podem ser colocados
por U$$ 5 mil por dia.
Os menos abonados podem optar por uma lancha de 47
pés com diária R$ 8 mil.
LAZER NO MAR TAMBEM REQUER ETIQUETA
-Tire os sapatos, por favor.
A recomendação, feita por Alcedino José
da Cruz, conhecido como Dino, 46 anos, poderia soar
antipática para o primeiro contato, mas revelou-se
uma preciosa dica de etiqueta no dia-a-dia de quem
vive em função de embarcações
e clubes náuticos.
Paulista nascido em Ilha Bela, Litoral Norte de São
Paulo, Dino trabalha como marinheiro de embarcações
há 18 anos. Filho de pescador, há sete
anos e quatro anos meses presta serviços a
um empresário paulista, e é o principal
responsável por um dos patrimônios do
executivo: uma lancha 44 pés ( 13 metros de
comprimento) com dois quartos e dois banheiros, equipada
com fogão, microondas e freezer, estimada em
US$ 350 mil.
-Quando o patrão não esta a bordo, digo
que esta é a minha casa – afirma Dino,
que recebe R$ 2,7 mil mensais.
O trabalho de marinheiro particular exige, além
de habilitação em navegação,
conhecimentos de culinária e de regras de recepção
de convidados. Dotes como barman também são
bem-vindos. Dino sabe fazer canapés e diz que
seu Dry Martini é (imbatível), herança
dos tempos que tinha um quiosque na beira da praia.
Ele saiu sozinho de Ilhabela no dia de Natal e atracou
em Florianópolis depois de 20 horas de viagem.
A partida depende do chefe, mas está agendada
para o dia 5 de março. A saudade da mulher
e dois filhos – casado a 14 anos, é pai
de uma menina de 10 e um menino de 14 – ele
ameniza com escassos telefonemas. Mesmo quase três
meses longe da família, Dino diz que é
feliz com o trabalho. E sobre o habito de só
andar descalço a bordo?
- Barco é como casa tradicional no Japão.
Tem que tirar o calçado para manter a limpeza
e mostrar que não é marinheiro de primeira
viagem – explica ele, rindo.
O MARINHEIRO DINO TROUXE DE SÃO
PAULO PARA FLORIANÓPOLIS A LANCHA DO PATRÃO
QUE SÓ A USUFRUI AOS FINAIS DE SEMANA. NA AUSÊNCIA
DO CHEFE, VIRA SUA CASA.
Fonte: www.diariocatarinense.com.br
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