Mestre dos mares
O paulista Marcio Christiansen,
é o único homem do mundo autorizado
a produzir os fabulosos iates Ferretti fora da Itália
POR CHRISTIAN CARVALHO CRUZ
| Ousar ou navegar? Pergunte ao empresário
paulista Marcio Christiansen qual desses verbos
ele mais gosta de conjugar. “Essa é
impossível responder. Seria como ter preferência
por um dos filhos”, ele dirá. Foi
assim, conjugando ousar e navegar em todos os
tempos e modos, que esse discreto publicitário
se tornou um dos homens fortes da indústria
náutica brasileira. Christiansen (o sobrenome
vem do bisavô dinamarquês, mascate
que vendia meias de seda no Recife) é o
único terráqueo autorizado a produzir
os superbarcos Spirit Ferretti fora da Itália.
Os iates da Ferretti são as Ferrari do
mar – em estilo, luxo e preço. Como
ele conseguiu? Eu ouso, tu ousas... |
CHRISTIANSEN:
Mostra de sete barcos em pleno Jockey
Club de São Paulo |
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SUÍTE
PRESIDENCIAL: O modelo top de linha tem
quatro dessas
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Então corretor e restaurador de barcos
usados, em 1989 Christiansen foi a Gênova
visitar a maior feira mundial do setor. Encantou-se
com o estande da Ferretti e quis comprar um molde
velho da marca para tentar fabricar um casco no
Brasil. Ouviu “não” por três
anos seguidos. “No quarto, eles disseram
sim para se livrar de mim”, lembra. “Fiz
o barco em 22 dias e chamei o Norberto Ferretti,
dono da companhia. Antes de pisar no convés
ele perguntou se eu queria ser sócio dele
em uma fábrica no Brasil.” Hoje,
Christiansen produz 30 iates por ano (só
por encomenda), entre 43 e 74 pés. Os preços
ele não diz de jeito nenhum. “É
um compromisso que mantenho com os clientes.”
Mas não erraria por muito quem arriscasse
entre US$ 400 mil e US$ 2,5 milhões, dependendo
do tamanho, para um Ferretti zero quilômetro. |
A ousadia maior do empresário,
no entanto, está no seu modelo de negócio.
Desde o início ele começou a tropicalizar
os barcos feitos no Brasil – sob o risco
de ser chamado de herege, porque em Ferrari não
se mexe, certo? Mas funcionou. Área externa
10% maior (os navegantes nacionais ficam mais
fora do que dentro das embarcações),
churrasqueira no flybridge (o “capô”
do barco), mais cabines para a tripulação
e decoração ao gosto do freguês
ajudaram a aumentar o volume de vendas. E então
Christiansen pôde pescar o seu grande Marlim
azul: deixou de fabricar para só administrar
a produção dos Ferretti. Hoje, ele
faz apenas o meio-de-campo entre o comprador e
os fornecedores, cobrando uma taxa de 15% do valor
de cada iate. Funciona assim: Christiansen recebe
o dinheiro do cliente e terceiriza tudo, da fabricação
dos móveis que vão a bordo à
matéria-prima do casco vinda da Itália.
“Só os moldes são meus. |
SALA
DE ESTAR: Espaço de
apartamento de 250 m2
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Tenho oito, pelos quais pago
royalties à Ferretti italiana”, explica.
O comprador arca até com o aluguel do galpão
onde os barcos são construídos,
no interior paulista.
Se é um bom negócio? Na última
sexta-feira Christiansen abriu uma seleta mostra
de seus iates no Jockey Club de São Paulo.
Num deque artificial de 5 mil m2 construído
em frente às tribunas de honra, atracou
sete Ferretti. O destaque era um de 74 pés
com quatro suítes, salas de jantar e de
estar e sete TVs de plasma a bordo. “É
como um apartamento de 250 m2”, orgulhava-se
a decoradora Tânia Ortega, que assinou o
projeto. O brinquedinho já estava vendido.
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Fonte:http://www.terra.com.br/istoedinheiro/372/negocios/mestre_mares.htm
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