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O site do Marinheiro pergunta o Marinheiro Ney responde

Pilotar um barco e navegar pelo nosso litoral vendo as coisas de um ponto diferente do que é visto de terra firme é muito gratificante e emocionante. Mas, para exercer a profissão de marinheiro particular, você deve gostar do mar, de estudar, fazer cursos, ter muita dedicação e responsabilidade.

O site do Marinheiro pergunta, o Marinheiro Ney responde.
 
1- Como você se sente exercendo essa profissão? Do que você mais gosta nela? Como é trabalhar com esses “brinquedos” de luxo?
 
Ney: Tenho muita satisfação e orgulho por ser Marinheiro de barcos de esporte e recreio. Hoje trabalho como piloto de testes e supervisor de área, para um dos mais respeitado estaleiro do Brasil. O que eu mais gosto na profissão é ter oportunidade de estar em contato com empresários importantes, marinheiros e outros navegadores, assim como poder navegar em lugares diferentes e poder ter acesso a embarcações de diferentes marcas, tamanhos e modelos.
 
2- Qual é a principal prioridade de um Marinheiro ao transportar pessoas importantes de nossa sociedade para um momento de lazer?

Ney: Na navegação, trabalhamos com prioridades inseparáveis: segurança, conforto, higiene, honestidade e economia, mais ou menos nessa ordem.
 
3- O que fez você escolher essa profissão?

Ney: Primeiramente, eu queria ser Disc Joquey (DJ) a paixão pelos barcos, pelo mar e pela navegação em si; veio em segundo lugar, a possibilidade de uma carreira na área náutica nem me passava pela cabeça. Meu pai foi me levando desde pequeno aos poucos para o mar e quando me dei conta já era ajudante dele (que era marinheiro de uma Carbrasmar 32). Ai não teve mais como fugir.

4- Há alguns anos, ser marinheiro era sinônimo de “Pescador”. E hoje, para você, o que é ser um Marinheiro Particular?

Ney: Antigamente, associava-se a profissão ao pescador, ao perigo, à aventura, ao susto que em cada navegação de final de dia era encontrada, não existiam informações e previsão do tempo atualizada, os meios de comunicações eram precários; o marinheiro estilo pescador era o mais confiável, porem tudo isso gerava certo desconforto e insegurança na navegação. Esse modelo de marinheiro perdeu-se no tempo. Hoje, o marinheiro de esporte e recreio é um profissional altamente qualificado, e capacitado, que navega em barcos extremamente seguros, com toda a tecnologia e informação a seu favor.

5- Durante quantas horas você trabalha?

Ney: As jornadas de trabalho variam de acordo com o tipo de cliente que você trabalha e as navegações a serem feitas, o número de pessoas que compõem a tripulação e outros fatores. Mas trabalhamos aproximadamente muito mais tempo que outros profissionais. Além da navegação, há dias em que ficamos à disposição do patrão como marinheiros em sobreaviso e outros dias na manutenção e na limpeza da embarcação, também temos que disponibilizar dias procurando outras informações técnicas de equipamento de bordo (estudo das cartas náuticas e das áreas que navegamos ou que vamos navegar),também participamos de pequenos cursos e palestras de reciclagem sobre combate a incêndios, primeiros socorros e outros assuntos. Temos poucas folgas por mês as folgas são combinadas com os dias em que o cliente não vai usar o barco.

6- A sua profissão é muito perigosa?

Ney: Já foi; porem nos dias de hoje, ela é muito mais segura, a tecnologia veio a bordo para ficar e nos ajudar a ser mais seguros nas nossas decisões durante uma navegação.

7- O que é importante e jamais pode ser esquecido pelo marinheiro durante seu trabalho?

Ney: O compromisso com a segurança da embarcação e das pessoas abordo.
   
8- Qual é o momento mais difícil em sua profissão?
 
Ney: Como em qualquer profissão, o começo é mais difícil. A colocação no mercado náutico não é fácil e requer bastante empenho e dedicação.

9- Quais são as dificuldades que você enfrenta ao desempenhar suas atividades?

Ney: Eu considero os vários dias longe da família e amigos uma dificuldade que não tem solução.

10- Qual é o maior problema que os marinheiros enfrentam?

Ney: A navegação no nosso país passa por uma fase de crescimento acelerado. Os empresários descobriram a cura para uma vida saudável e duradoura longe do agito da cidade grande e do “estress” do trabalho do seu escritório. Atualmente ha uma grande oferta de mão de obra barata e para as vagas de marinheiros. Só que algumas pessoas estão entrando nesse mercado e muitas que se quer já navegaram. Essa incerteza gera uma certa preocupação salarial entre os marinheiros mais qualificados.

11- Por algum momento você pensou em desistir dessa profissão?

Ney: Sim. Como já desisti e abri meu próprio negocio em terra firme e fiquei mais de um ano longe do mar. A experiência foi boa, porque só assim percebi que em meu sangue corre “água salgada” , não perdi mais tempo e retornei para a vida do mar.

12- Alguém que tem fobia de mar, medo de tubarão, de dormir em camarotes apertados, etc. Consegue se tornar um marinheiro?

Ney: Não. O Mar às vezes também me põe medo ele é imprevisível, tubarões existem, mas nunca vi nenhum marinheiro ser atacado por um deles e às vezes dormir em um camarote de marinheiro é assustador lembra um caixão com ar-condicionado.
 
13- Que habilidades um marinheiro de sua área deve ter? Fale um pouco sobre a formação de um marinheiro.
 
Ney: Existem dois caminhos para se tornar um marinheiro: um deles é a indicação; onde um marinheiro mais velho, respeitado e com “nome” no mercado náutico quem  faz a indicação a um proprietário de barco; e o outro e a carreira pela formação pela capitania dos portos com as carteiras de habilitação amadora.

14- Que curso um marinheiro novo deve ter para ajudar a reforçar o seu currículo?

Ney: Para ser profissional na área náutica, o marinheiro deve ter no mínimo o Ensino Médio completo, ter cursos Arrais , Mestre ou Capitão Amador. Ter navegado como 2° marinheiro também pode dar uma boa apresentação ao currículo citar algumas horas de navegação onde acredito que o ideal seria  400 horas por ano. A fluência no básico língua inglesa , primeiros socorros, natação (importante), combate a incêndio, curso de equipamentos de navegação como: radar, gps, sonar, vhf , curso sobre reconhecimento de costas, meteorologia, informática, para mim são pontos fundamentais. E todos os cursos que se possa usar no dia a dia dentro de uma embarcação.

15- Com que idade se entra nessa área e como se faz para conseguir isso?

Ney: A idade mínima é de 16 anos e entrar de ajudante, mas ele deverá completar 18 anos para obter a carteira de Arrais e poder já navegar com botes e jet Sky de uma embarcação. Existem diversos empresas e escolinhas de navegação espalhados por todo o Brasil.

16- Para se tornar um marinheiro respeitado no ramo da náutica, o que é preciso fazer?

Ney: Dedicação e honestidade. como já falei de inicio aqui trabalhamos com pessoas importantes e as vezes somando o patrão, barco e convidados só então sabemos o valor e responsabilidades que temos na mão.
 
17- Com que idade você percebeu que nasceu para ser marinheiro de barco de esporte e recreio?
 
Ney: Meu pai me levava para o mar desde criança. Desde muito cedo, eu já navegava com ele pelas baias de Florianópolis SC, nunca dei muita atenção pois queria ser DJ. Quando tinha 16 anos meu pai me colocou em um barco soltou as amarras e falou agora é com você, foi ai que me dei conta que era isso que eu queria. Com uma Carbarsmar 26 navegando pela beira mar norte de Florianópolis com um fazendeiro e eu no comando isso era demais.

18- Com quantos anos você começou navegar mesmo?

Ney: Com 16 anos ja manobrava veleiros de 22 pés e alguns de 32 pés de um cais para o outro e as vezes já levava direto ao “Pau de carga” para erguer o barco e estacionar no seco para manutenção.

19- Depois de quanto tempo de trabalho consegue-se ser reconhecido nesse mercado? 

Ney:: Isso depende do investimento que você faz em você mesmo. Aos poucos as pessoas ao seu redor começam a perceber a diferença.

20- Se não fosse Marinheiro Particular, que outra profissão você escolheria?

Ney:  Disc Jokey
   
21- Como é a vida familiar de um Marinheiro, já que nem sempre ele está em terra? 

Ney: Apesar de ficar vários dias e às vezes meses longe da família e amigos, acabamos acostumando-nos a adaptar a vida pessoal e as vezes solitaria. No começo, é um pouco difícil, mas, com o passar do tempo, torna-se normal.

22- O que acontece em cenas de novelas e verdade, sobra um tempinho para namorar as convidadas do chefe?

Ney:  Como a própria pergunta já responde, isso acontece só em novela na vida real é diferente você tem olhos só para a frente. Não se olha para as filhas do patrão nem para as convidadas “nem que elas tivessem nuas abordo eu olho”.

23- A vida de um Marinheiro de barco de esporte e recreio e realmente é boa?

Ney: Eu considero em particular a minha muito boa.
 
24- Como foi sua primeira navegação? Você sentiu um "frio na barriga"? Foi emocionante? Você passou mal? 

Ney: Lembro-me com se fosse hoje. E e meu falecido tio saímos com uma Cigarrette 36 de Florianópolis par ao Rio de Janeiro. Ele me viu entrando com uma carta náutica, lápis, compasso e outros materiais de navegação; e ele me perguntou pra que era tudo aquilo. E eu falei se pintar uma oportunidade eu uso. E ele me falou então vai é com você não vou falar nada. Trace seu rumo e leve o barco. Nossa foi incrível. Quase viramos o barco, vomitei muito, isso durante uma tempestade por fora do litoral do Paraná. Foi um dia inesquecível chegamos ao Rio com o barco todo quebrado pela tempestade, não tem como esquecer.

25- Como se sentiu em sua primeira navegação como profissional?

Ney: seguro, desde que tirei minha habilitação sempre sinto segurança no que faço.

26- Você teve medo na primeira navegação que fez sozinho?

Ney:  Medo não, mas muito respeito pelo mar.

27- Qual foi sua navegação favorita?

Ney: Cada navegação você tem uma sensação diferente, mas navegar pela Baia de Angra dos Reis a noite debaixo de uma neblina, ir de um lado ao outro e ter certeza de onde estou é muito gratificante. É uma sensação única inexplicável. Isso ajuda a me sentir importante e me diferenciar de outros marinheiros. Isso é bom para nosso ego.
   
28- Qual foi navegação mais interessante que você já fez?

Ney:  Com Norberto Ferretti presidente do Grupo Italiano FERRETTI. Não pela rotas traçadas, mas sim pela responsabilidade que estava sobre “minhas costas”. Eu estava transportando naquele momento uns dois empresários mais ricos do mundo. O empressario confiava muito em mim.

29- Você já viu assombração no mar a noite, histórias de pescador por exemplo?

Ney: Sempre que navego a noite e sozinho, sinto a presença de alguém no meu lado, procuro não olhar para meu lado pois é uma companhia oculta ótima. Agora assombração nunca,

30- Você já teve alguma experiência marcante em alto mar como ver um  óvine (Disco voador)?

Ney: Isso não existe. Estrela cadente e balão meteorológico sim.

31- Conte uma aventura inesquecível vivida por você no mar. Você pôde conhecer o que nessa profissão?

Ney: Na navegação você pode conhecer praticamente todo o litoral do nosso país e todos os tipos de pessoas que imaginar; em umas de minhas navegações fomos a uma praia de nudismo. Fomos de barco para espiar os “peladões” na praia do Pinho em SC. E para nossa surpresa o administrador da praia veio a nado até nosso barco e subiu peladão na plataforma de popa e passou o regulamento a todos. Foi divertido, pois ninguém esperava um cara pelado na nossa frente falando serio e com toda naturalidade.

32- Dos lugares que você já  navegou, de qual deles mais gostou?

Ney: Incomparável Angra dos Réis. Lá você tem quase tudo que a natureza pode oferecer.

33- Você já deu a volta ao mundo em um barco?

Ney: Ainda não. Espero ter oportunidade de fazer isso um dia. Na aposentadoria quem sabe.

34- Você já teve oportunidade de navegar em outro Pais?

Ney: Tive uma proposta de trabalho para navegar na Itália, porem não me achei preparado na época. Apesar do empresário Italiano ver tudo de mágico nas minhas navegações.

35- Como você se sente no mar?

Ney: Sensação de liberdade. A sensação de navegar é indescritível. Algumas pessoas sentem medo; outras, euforia. Eu apenas me sinto feliz, sinto que estou no meu lugar, no meu mar. Eu sequer consigo explicar a real sensação de navegar.

36- É difícil pilotar um barco? Que tipos de barco você já pilotou? 

Ney: A navegação exige dedicação e um treinamento intenso, não é difícil pilotar e manobrar essas embarcações e preciso praticar. Já pilotei muitos modelos diferentes, desde pequenos botes até barcos de 98 pés. De varias marcas, modelos e estaleiros diferentes.

37-Como é navegar com mau tempo?

Ney: O mau tempo requer atenção redobrada e conhecimento das técnicas de navegação, contornar as ondas regue um pouco de habilidade. Não pode existir, de forma alguma, relação com medo ou pânico. Temos informações meteorológicas constantes e equipamentos eletrônicos a bordo que nos auxiliam na navegação e nos passam muita segurança.

38- Você navega sozinho ou acompanhado?

Ney: Tanto faz uma companhia é sempre bom, mas às vezes é preferível estar sozinho.

39- É muito difícil navegar à noite?

Ney: É tão fácil quanto navegar de dia. A única diferença é que temos à disposição menos visibilidades e não podemos “achar” que estamos certos. Na duvida e paro a embarcação e começo tudo de novo. Particularmente, eu gosto mais de navegar à noite por que ninguém se arrisca a dar palpite e você navega tranquilo.
 
40- A cabine de comando do barco é cheia de botões e equipamentos de navegação?

Ney: Cada modelo de barco tem equipamentos e botões diferentes para funções diferentes. Quanto mais moderno o barco mais equipamentos, disjuntores e botões. Porem nos estaleiros quem define o que vai ou não ser instalado abordo e o cliente e alguns proprietários acabam gastando muito em perfumaria e esquecem do principal equipamentos de navegação e de segurança.

41- As marinas e Iates clubes auxiliam os marinheiros durantes as navegações? Existem socorros imediatos na nossa costa?

Ney: É!!! é muito difícil responder essa pergunta, geralmente as marinas estão na escuta permanente nos horários comerciais no canal 06,68,74,etc.. Após esse horários você só tem a alternativa do canal 16. ai que mora o perigo você nunca sabe quem vai atender uma chamada sua.  Muitas pessoas têm uma idéia muito errada de equipes de socorros. Como em filmes, vemos alguém chamar S.O.S de um barco em perigo e do nada aparece a “guarda costeira americana”. Isso é besteira. Estamos muito longe disso. Quem sabe um dia. Aqui nossa segurança ainda são os barcos de pescas em sua maioria.

42- Como você se sente em uma embarcação com outro marinheiro no comando? 

Ney: Quando conheço bem a qualidade da navegação do marinheiro, sinto-me tranqüilo. Até me arrisco dar uns cochilos em longas travessias. Mas “caso contrario” estarei em vigia permanente.

43- Quantas pessoas você pode levar em um passeio de final de semana?

Ney: Isso depende do tamanho do barco, se vai haver pernoite ou não. Os barcos são classificados e liberado a quantidade de pessoas pelas autoridades conpetente(Capitania dos Portos).

44- Você é responsável por sua vida e pela de muitas pessoas que estão com você durante uma viagem ou navegação de passeio de fim de semana e feriado prolongado. O que tem a nos dizer sobre essa responsabilidade?
 
Ney:. Toda e qualquer operação envolvendo navegação tem como base a segurança. Não temos treinamentos especiais, avaliações ou exames médicos preventivos temos que se virar com cursos basicos e com que aprendemos no dia a dia. como trocas de experiências com outros colegas de mar. Mas existe algo que devemos ter ao tomarmos uma decisão, tranqüilidade e bom senso, pois, normalmente, temos muito pouco tempo para avaliar uma situação e tomarmos a atitude correta.

45- Você já presenciou algum acidente no mar?

Ney: Vários, desde perda total, fogo, acidente com lage, falha de equipamento e encalhes por falta de responsabilidade.

46- Você já se envolveu com algum acidente no mar?

Ney: Já! Inclusive publiquei esse acidente na “pagina do marinheiro” desse site. Não gosto muito de lembrar. Só publiquei porque foi na frente da minha casa e envolvendo minha família e queria deixar como experiência para outros marinheiros.

47-Você já passou por alguma situação de perigo enquanto navegava?

Ney: Não posso considerar como situação de perigo. Mas já me vi em cada apuro. Navegar no sul do Brasil, onde nasci e naveguei a maior parte do tempo, não é para qualquer um; lá o tempo é imprevisível e muda de uma hora para outra. Estarei criando nesse site uma coluna onde vou relatar alguns apuros. O segredo nessas horas é você ser “SAFO”.

48-Qual foi o maior erro que você cometeu em uma navegação?

Ney: Deixar o comando na mão de um de meus chefes. Acabamos pegando uma laje em 1989 em Florianópolis SC. Arrebentamos  a parte de baixo toda do barco como: eixo, hélice, pé de galinha, leme etc... Não afetou o casco mais foi um grande susto.
   
49- Cite um momento em que você sentiu medo durante uma navegação?
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Ney: Em situações de emergência, não sinto exatamente medo, mas um alerta total. Tento de todas as formas resolver o problema o mais rápido possível. Depois de tudo resolvido, pode ser que exista um “frio na barriga”.
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50- Alguma vez você ficou sem combustível durante uma rota de navegação?

Ney: Não. Já cheguei na “estica”, mas ficar sem diesel é pane seca. E é muito desagradável para um navegador.

51- Você já cometeu algum erro enquanto estava no comando de uma embarcação?

Ney: Existe sempre a possibilidade de uma distração fazer com que você cometa um erro. Felizmente, nunca cometi nenhum erro que comprometesse a segurança da navegação, somente de chegar atrasado na hora da saída para o mar e deixar o cliente esperando.

52- Em alguma viagem conduzida por você, aconteceu de um tripulante passar mal?

Ney: Já, mas possuo “uns cursos” de primeiros socorros e leio bastante sobre saúde, então fica mais fácil de conduzir uma situação dessas.
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53- Você tem medo de um naufrágio?

Ney: todo navegador tem medo de um naufrágio. principalmente se tiver na hora pessoas sobre sua responsabilidade.

54- Qual é o seu maior medo?

Ney: tempestades no mar com clientes a bordo. Prefiro pegar sozinho.

55- Quais são as rotas que você mais gosta de fazer?

Ney: Santos / Florianópolis cada navegação é uma surpresa.

56- O que você considera mais perigoso em sua profissão?

Ney: A falta de manutenção do barco por parte do proprietário e da presença de marinheiros desqualificados.

57- Você já salvou vidas em afogamento?

Ney: sim duas vezes. Minha ex-patroa.

58-Quais são os perigos que o navegador pode enfrenta?

Ney: Nossa profissão não é perigosa; pelo contrário, é muito segura. Depende de quem esta no comando e se o barco esta bem equipado e com as devidas manutenções.

59- Durante uma navegação, você já enfrentou ondas gigantescas?

Ney: Em quase todas as navegações que faço de alguma forma há ondas. Ela não deve ser considerada como algo perigoso. É desagradável para alguns tripulantes, principalmente com os que  não estão acostumados a longas navegações, pois acabam enjoando.

60- Já aconteceu algum assalto ao barco ou seqüestro em Angra dos Reis com você? É verdade que tem pirata no mar?

Ney: Não. Existem casos isolados. Geralmente não navegamos com dinheiro abordo por isso não atraímos a atenção de bandidos. E o mar é muito pequeno a fuga é difícil.

61- Você já teve de abandonar alguma embarcação por causa do mau tempo?

Ney: Não. O Capitão nunca deve abandonar o barco.
 
62- A quantos kilometros da costa você se afasta ao navegar com uma embarcação de esporte e recreio? Que velocidade um barco pode atingir?

Ney: Navego por rotas e não por “pontas” de terra. Chego a me afastar mais de 20 milhas da costa em uma viagem tipo para o sul. A velocidade dos barcos que trabalho depende do tamanho e dos motores, mas da uma media de cruzeiro de 23/27 nós para barcos cabinados e a 36/50 nós para barcos Open.

63-Qual foi a maior distancia da costa que você já teve?

Ney: Com meu pai que é pescador profissional fomos a mais de 100 milhas mar a fora para sul de Florianópolis. Você fica horas e horas sem ver terra. É loucura!!! Pegamos um Suldoeste tremendo.

64- Você nunca teve medo de mar?

Ney: Não. Mas muito respeito.

65- Até quantos metros de profundidade você estava?

Ney: a mais de 100 metros
   
66- Você pretende fazer o que quando parar de navegar? 

Ney: Não pretendo parar de Navegar. Mas se um dia isso acontecer farei alguma coisa ligado a área náutica
  
67- Atualmente com quantas horas de mar um marinheiro precisa ter para poder ser reconhecido como Marinheiro com “M” maiúsculo?
 
Ney: Teoricamente, um marinheiro com mais de 400 horas por ano de navegação já pode ser considerado um bom marinheiro. Há Marinheiros que preferem usar milhas navegadas  uma média, 15.000 milhas por ano. Tenho, hoje mas de 200.000 milhas navegadas.Não desmerecendo os grandes navegadores. Faço um calculo em cima das minhas viagens marítimas e as que faço com lanchas e yates velozes também. Por exemplo um navegador de um barco a vela vai uma vez por ano a angra enquanto eu mais de 20 vezes por ano ida e volta.

68- Qual foi o maior barco que você já pilotou?

Ney: Spirit Ferretti 980 PÉS e um veleiro de concreto de 80 pés que tinha um calado de 2,75 metros onde tive que navegar pelos canais rasos da ilha de Santa Catarina. É uma aventura.
 
69- Como é a sensação dos proprietários de barco na vida no mar e quanto estão em seu momento de lazer?
 
Ney: Cada um se transforma de um jeito diferente, voltam a ser crianças e muito legal, você acaba conhecendo o lado do empresário que os funcionários da empresa não conhecem, aquele cara serio de terno e gravata não existe nesse momento. E gratificante.
   
70- Como o Brasil está em relação aos avanços da tecnologia aérea náutica comparado aos países de Primeiro Mundo?
 
Ney: Em relação à qualidade de treinamento de marinheiros, os brasileiros não estão entre os melhores do mundo. Mas muitos já estão se modernizando buscando qualificação no trabalho. Já os estaleiros que fabricam esses barcos para mim é um orgulho. A concorrência é grande pois estão cada dia que passa fabricando barcos mais modernos, luxuosos e bem equipados.

71- Para finalizar gostaria que você, Marinheiro Ney nos respondesse uma ultima pergunta: Um marinheiro de barco de esporte e recreio de um nível tipo o seu, pode ter um salário de quanto?

Ney: Bem, é difícil não vou falar sobre meu salário, mas é um mercado que não tem salário definido cada barco, cada marinheiro é um salário diferente. Não importa o tamanho do barco. O que importa é como o proprietário usa o barco e se ele confia em você. Um Marinheiro Particular que atende todas as exigências do proprietário pode receber em torno de R$ 3.500,00 a R$ 6.000,00. Quanto mais segurança ele passar para o cliente mais ele é valorizado.

72- Deixe numero de telefone ou um contato seu para os visitantes?

Ney: Numero de telefone não! Meu e-mail: marinheironeycap@hotmail.com

73- Obrigado pela atenção Marinheiro Ney.

Ney: Obrigado a vocês e abraços a todos.

Gostou dessa entrevista? mande seus comentários ou criticas para marinheiroparticular@gmail.com


 

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