Capitão Amador sr.Henrique Antônio
da Silva um dos mais experiente Marinheiro Particular
do Brasil é entrevistado pelo site MarinheiroBrasil.
E conta um pouco de seu trabalho para que sirva de
exemplo para atuais e novos Marinheiros Particulares.
“Basta estudar um pouco, planejar
bem a viagem, verificar tudo o que é importante,
não se esquecer de nada, ver as condições
do mar, motor limpo, que não tem erro, essa
é a superstição”, afirma o experiente Seu Henrique.

Marinheiro, experiente,
profissional, Henrique Antônio da Silva (61),
filho adotivo, pai de uma advogada formada (34) e
de uma adotiva (7), ele nos conta toda a sua história,
conselhos e experiência de vida desses quase
50 anos de mar viajando pelo globo. Com muita simpatia
e atenção, ele respondeu as perguntas
do MarinheiroBrasil.com.br e você confere a
entrevista que ele nos deu aqui:
Perfil:
Henrique Antônio da Silva (Capitão)
Data de Nascimento: 21/07/1944 - Porto Belo - SC
Início da carreira: Aos 13 anos.
Cursos: Ministrados pela MTU no Brasil e na Alemanha,
SENAI - Elétrica Pesada e cursando Informática.
MB: Quando e como foi sua primeira viagem?
H: Eu cheguei aqui no Iate Clube de Santos
como pau-de-arara mesmo e aos treze anos, o Sr. Julio,
gerente do Iate me colocou na viagem. A viagem foi
em um veleiro para Buenos Aires - Argentina para a
realização de uma regata, na embarcação
Ventania, um BL Cruzeiro, o famoso bico de proa da
época. Foi bom, foram dezoito dias até
Buenos Aires lavando prato e ajudando em tudo. Na
volta, já estava no convés, içando
vela e tudo mais.
MB: Como era
o Iate Clube quando você chegou?
H: Era bem simples, estatuto igual, maneira
de funcionar igual também mas cresceu muito,
hoje o Iate Clube é uma potência, as
organizações mudaram, barcos evoluíram,
e uma das coisas que eu me recordo que tenha mudado
também e nos deixa saudades foi a urbanização,
a alameda tirada, cheio de flamboyant, eles se cruzavam,
aquilo era lindo e foi tirado.
MB: Por que motivo entrou na náutica?
Quais foram suas influências?
H: Nasci em Porto Belo, um lugar rodeado
de mar, tinha muitos barcos, nascemos a beira da praia,
tira rede, põe rede, já nasci com água
salgada correndo em minhas veias. Meu avô, Henrique
Venâncio da Silva, e meu pai, Antônio
Venâncio da Silva, todos pescadores foram os
que me despertaram a vontade de sair pelo mar.
MB: Como você vê o futuro da náutica?
H: Eu vejo o futuro muito promissor, uma coisa que
veio com muito progresso e cada vez estará
melhor com toda essa tecnologia nas embarcações,
podemos esperar muitas evoluções ainda,
depende de nós mesmos, de nos atualizarmos
com o mundo tecnológico e prova disso foi a
minha inscrição em um curso de informática
que eu começo agora a partir desse mês.
Não podemos ficar sentados esperando o tempo
passar.
MB: Seu Henrique, você tem alguma superstição
ao navegar?
H: Não, basta estudar um pouco, planejar
bem a viagem, verificar tudo o que é importante,
não se esquecer de nada, ver as condições
do mar, motor limpo, que não tem erro, essa
é a superstição, verificar tudo
antes de navegar.
MB: Você se sente realizado profissionalmente?
H: Sim, muito feliz com o que faço,
navego até hoje, conseguir estudar e formar
minha filha, tenho um lugar onde morar, falando honestamente,
está bom demais.
MB: Qual conselho você daria aos iniciantes?
H: Não corram riscos, eu nunca fiz
isso. Risco é a causa das besteiras, e depois
da primeira, vem a outra, num efeito dominó.
O risco é uma conseqüência da imprudência,
e imprudência não combina com sucesso.
MB: Após várias viagens, Chile,
Venezuela, Mediterrâneo, Itália, Portugal,
Alemanha, Argentina, nos conte uma experiência.
H: Todo marinheiro tem muitas histórias
pra contar, essa foi em 86, sai daqui no dia 26 de
janeiro e o mar estava tranqüilo, sem problemas,
e ao avistar um barco novo, bonito, bem cuidado, o
abordei e vi um garoto de aproximadamente 16, 17 anos.
Ele virou-se para mim e disse: "Olha, parou os
dois motores, não funcionam", claro que
ele estava querendo aplicar um golpe, lhe respondi:
"Meu filho, não te ocorre que acabou o
óleo diesel? Você está economizando
combustível para a embarcação?"...
E então ele me disse: "Ah moço,
se tu pudesse me levar para Portugal" [risos],
eu então chamei a capitania no canal 16 e lhes
avisei que tinha um cidadão, sem óleo
diesel e eu estava com uma pessoa excepcional a bordo
e disse que não iria rebocá-lo, aviso
dado, segui meu caminho. No caminho de volta, vindo
embora, lá está ele denovo, no mesmo
lugar, sem óleo e quando ele me viu, ficou
bravíssimo e eu fiz denovo a mesma atitude,
liguei para a capitania e dei o mesmo recado, ou seja,
ele gostou de ser rebocado usando o combustível
dos outros, ele tinha tudo, um isopor com comida a
bordo, com tudo, ele já estava pronto para
isso, para ser rebocado, essas são umas espertezas
do mar, mas que dessa vez, não deu certo. [risos]
MB: Obrigado pela entrevista, e para finalizar,
deixe uma mensagem para o público do MarinheiroBrasil.com.br.
H: Agradeço tudo ao mestre Vicente
Dellucia, meu primeiro encarregado, o homem que me
ensinou tudo o que eu sei até hoje sobre navegação
e muita sorte e sucesso para o portal.
Fonte: www.marinheirobrasil.com.br
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