| A recente descoberta de
ciclones submarinos na costa nordeste do Brasil
Por
Elísio Gomes Filho
Cientistas alemães descobriram
o que se pode identificar de poderosos redemoinhos
submarinos em frente da costa do estado de Recife,
os quais vem fornecer informações sobre
o clima global, uma vez que alterações
no sistema das correntes marítimas podem esfriar
o clima da Europa.
Os oceanólogos partiam do princípio
de que nas grandes profundidades do Oceano Atlântico
os rios de águas marinhas corriam tranqüila
e continuamente. Ora, nada poderia estar mais longe
da realidade, já que, a dois mil metros de
profundidade, redemoinhos com 300 quilômetros
de diâmetro varrem o Atlântico a uma velocidade
de cerca de 150 m/h. A descoberta, realizada na costa
brasileira, partiu de cientistas do Leibniz Institute
of Marine Sciences at Kiel University (http://www.ifm-geomar.de)
– ou seja, o Instituto Leibniz de Oceanologia
(IFM-Geomar), sediado na Universidade de Kiel.
Eles haviam instalado no fundo do mar, ao sul da costa
pernambucana, aparelhos para medição
de correntes. Uma vez por ano, os aceanólogos
alemães retiravam os referidos equipamentos
para ler e conferir os resultados, voltando a depositá-los
no mesmo local. Assim os pesquisadores do Instituto
Leibniz, os quais de início ficaram surpresos
pela forte flutuação das correntes,
mas com a ajuda de modelos de simulação
puderam identificá-la como sendo poderosos
redemoinhos.
Mas não constituem perigo para
os seres humanos ou para a navegação
Esses lentos ciclones submarinos são
chamados “eddies”, no jargão dos
oceanólogos. Eles se formam a cada 60 dias,
quando a Corrente Atlântica se dispersa, ao
alcançar a costa brasileira, na área
dos estados do Nordeste, absorvendo as águas
profundas. Em seguida, os redemoinhos movimentam-se
em direção ao sul, ao longo das paredes
continentais, numa área em que a profundidade
do fundo do mar cai de 100 e 200 metros para 3500
metros de profundidade abruptamente.
Ao contrário dos ciclones que se formam na
atmosfera, os ciclones submarinos não constituem
perigo para os seres humanos ou para a navegação,
porque ocorrem, muito abaixo da superfície
do mar, informação assegurada pelos
cientistas. Por outro lado, podem ser um importante
indicador de alterações no sistema de
correntes atlânticas. Estes transportam água
aquecida para o norte, nas camadas superiores do mar,
e água fria para o sul, nas profundidades,
e exercem importante influência sobre o clima
da Terra.
Uma interrupção dessa corrente causaria
uma forte alteração do clima
Os modelos desenvolvidos pelos pesquisadores
de Kiel demonstram que os “eddies” só
se formam se o afluxo de águas profundas do
Atlântico Norte for suficientemente forte. Assim,
a alteração ou o desaparecimento dos
redemoinhos pode ser uma importante indicação
de mudanças em toda a Corrente Atlântica
e, portanto, também na Corrente do Golfo, o
fluxo de águas mornas entre a América
e a Europa.
Diga-se de passagem, que graças à Corrente
do Golfo do México, grande parte, do oeste
e norte europeus, possui um clima mais ameno do que
seria de esperar, dada a latitude geográfica
em que se situam. E uma interrupção
dessa corrente causaria uma forte alteração
do clima na Europa.
Elísio Gomes Filho
é mergulhador, escritor e historiador, sendo
autor de livros sobre tragédias marítimas
e foi fundador do Museu Histórico Marítimo
do Cabo Frio (1987) e do Museu Histórico Marítimo
de Armação dos Búzios (2001),
cujo acervo foi doado ao Museu Oceanográfico
de Arraial do Cabo.
Entre suas pesquisas, encontra-se
aquela que veio elucidar o caso do desaparecimento
do barco-de-pesca “Changri-lá”,
sobre o qual descobriu que a pequena embarcação
brasileira foi atacada pelo U-199 em julho de 1943.
Hoje, os nomes dos dez pescadores do “Changri-lá”
encontram-se, imortalizados, no Monumento aos Mortos
da Segunda Guerra Mundial no Aterro do Flamengo.
O
especialista em histórias do mar, é
responsável pelo site: www.nomar.com.br
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